O meu gato fez chichi na minha cama!

Lá em casa, há dois gatos. Quando tudo o que vos vou contar se passou, o Totti tinha 5 anos e o Egas  tinha 1.

Esta história começa no dia em que descobri uma poça de chichi na minha cama. A primeira vez até achei que tinha sido um dos miúdos (eram ainda bebés)… Mas rapidamente percebi que não. Voltou a acontecer várias vezes e geralmente quando não estava mais ninguém em casa.  Até que houve um dia que apanhei o Egas com “a boca na botija”: vi mesmo o gato a fazer chichi na minha cama. 

O Egas tinha uma enorme preferência pela minha cama, mas não era muito esquisito… Se fechássemos a porta do meu quarto outras camas eram atacadas. Ou seja, a política da porta fechada não servia muito bem, e considerando a idade dos miúdos não era boa ideia de todo. 

Por isso, rapidamente passei à pergunta: “porque é que o Egas anda a fazer isto?” e depois “Como é que evitamos que volte a acontecer?”.

A primeira coisa que fiz foi ter a certeza de que o Egas não tinha nada de errado, clinicamente falando. As análises e a avaliação clínica não mostraram nada de relevante, pelo que a questão passou para o campo dos problemas comportamentais.

Por isso decidimos em família que era melhor contactar um veterinário especialista em bem-estar e comportamento animal, o Dr. Gonçalo Graça Pereira, que já escreveu um artigo no nosso blog e que é um parceiro da Petable.

Ficámos a saber que os gatos não vivem muito felizes em grupos, principalmente dois machos. Não formam uma família, apenas se toleram, numa espécie de “time-sharing” dos humanos de quem gostam, dos areões, dos comedouros, dos brinquedos e dos seus locais de repouso pela casa.

Ora, pode acontecer que um dos machos exerça sobre o outro uma espécie de bullying, uma pressão enorme. Mesmo que eu não tenha visto nunca o Totti bater ou bufar ao Egas, a simples presença dele poderia ser suficiente para provocar enormes níveis de stress ao gato mais novo. 

Estes enormes níveis de stress e susto permanente seriam a causa mais provável para este comportamento do Egas. O nosso gato mais novo fazia chichi na minha cama porque não estava bem e porque não conseguia lidar com o stress que sentia.

Portanto, após uma longa conversa com o Dr. Gonçalo, voltámos para casa com uma lista de alterações a fazer lá em casa para ajudar o Egas a viver de forma menos stressada e a ser uma gato mais feliz.

E não foi nada complicado, embora tenha implicado algum investimento e também perseverança.  A primeira coisa foi duplicar o número de areões. Passámos a ter quatro em diferentes zonas da casa, e também passamos a comprar areia aglomerante de melhor qualidade para garantir que as idas à casa de banho eram uma experiência agradável e não stressante para o Egas.

Também aumentámos o número de comedouros e bebedouros, para ter a certeza de que os dois gatos nunca necessitavam de competir pela comida. Muito importante também foi colocar esses comedouros e bebedouros longe dos areões. Os gatos são muito parecidos connosco neste aspecto: ninguém gosta de comer ao lado da casa de banho, pois não? 

Investimos numa fonte de água circulante, que ajuda a que a água do bebedouro esteja mais fresca e arejada,  e espalhámos por várias zonas da casa dispensadores de feromonas, odores que apenas os gato detectam e que têm propriedades calmantes.

Aumentámos enriquecimento ambiental, o número e a variedade dos brinquedos que estavam disponíveis, o que evita que os gatos fiquem aborrecidos. 

Além de tudo isto, tivemos que ensinar ao Egas que fazer chichi em cima da cama é uma coisa pouco agradável. Isso faz-se precisamente usando como vantagem o facto dos gatos não gostarem de comer no local onde fazem as suas necessidades.  

Passámos a colocar um comedouro com ração no meio da minha cama. A presença de comida diz ao Egas que aquele não é um sítio para ele fazer chichi. 

Durante este período de treino vedámos o acesso aos restantes quartos. Embora eu não goste nada de portas fechadas em casa, teve mesmo de ser.

Claro que nada que implique alterações comportamentais acontece do dia para a noite. É um processo que pode ser lento e que implica dedicação e esforço da nossa parte.  Mas a verdade é que com o passar do tempo os acidentes na minha cama deixaram de acontecer. E devagarinho fomos deixando outras portas abertas lá por casa e experimentando se  o Egas ainda fazia das suas.

Hoje em dia o Egas é um gato feliz ( e certamente menos stressado). Às vezes temos surpresas menos boas (e lá vou eu lavar a roupa de cama toda), mas normalmente só quando há visitas lá eu casa, ou refeições de família muito barulhentas e festivas. 

Sabemos que temos um gato mais sensível ao stress e que o nosso papel, enquanto família dele, é ajuda-lo. Ao fim e ao cabo, nenhum de nós gosta de viver em permanente stress e desconforto, pois não?

Ines

Inês Viegas, DVM

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