É uma emergência????

Saber em que situações se deve levar um animal de estimação para uma consulta é uma dúvida comum para muitos tutores. Muitas pessoas têm muita dificuldade em avaliar a verdadeira urgência de uma dada situação.

Se por um lado o desconhecimento do que realmente deve ser considerado normal ou motivo de alarme gera uma alguma desvalorização de sinais que podem indicar que algo de errado se passa, por outro também faz com que muitos tutores, preocupados, decidam procurar cuidados veterinário sem pensar duas vezes!

Ainda que algumas situações possam, na realidade, ser benignas, é sempre preferível uma ida ao veterinário no momento inicial dos sintomas, uma vez que isto permite uma atuação mais ágil, facilita as opções de tratamento e evita complicações maiores.

E por isso, no que diz respeito à saúde e bem-estar dos nossos patudos, sempre que tiver dúvidas sobre o estado de saúde do seu animal de companhia, procure aconselhamento com o seu médico-veterinário.

Em todo o caso, é importante que os tutores tenham ideia do que deve ser o estado saudável dos seus patudos e saibam reconhecer algumas manifestações de doença. Neste sentido, deixamos-lhe algumas notas:

#1 – Conheça o que é considerado normal no seu animal (os chamados os parâmetros fisiológicos normais)

Normalmente, poderá encontrar esta informação no boletim de saúde do seu patudo, onde são registadas as vacinas e outros tratamentos importantes. Os valores apresentados podem variar de animal para animal, com as raças, tamanho, idade e com o estado fisiológico dos animais (excitação, stress, doença, etc.). 

Desta forma, é importante conhecer o que é normal para o seu animal, dentro dos intervalos de referência. Pode e deve perguntar ao seu médico veterinário, se tiver dúvidas. 

De um modo geral, é importante saber que as membranas mucosas devem apresentar uma coloração rosada e ligeiramente húmidas ao toque. Pode verificar levantando o lábio do seu animal. 

A temperatura é geralmente medida no recto, com um termómetro igual aos utilizados em medicina humana, e nos cães varia entre os 37.5 – 39.3°C, e nos gatos varia entre os 37.5 – 38.5 °C. 

Para monitorizar a frequência respiratória pode contar o número de movimentos do tórax e abdómen (que devem mover-se em conjunto e sem dificuldade) que ocorrem num minuto. É melhor e mais fácil fazer esta contagem quando o animal está a dormir, ou pelo menos deitado de forma repousada. 

Cada ciclo de respiração inclui uma inspiração e uma expiração. Geralmente, cães adultos têm entre 10 – 40 movimentos respiratórios por minuto, enquanto que os gatos adultos podem realizar entre 20 – 40 movimentos respiratórios por minuto.  Cães e gatos mais mais jovens podem realizar entre 16 a 40 movimentos respiratórios por minuto.

Contudo, mais do que monitorizar os parâmetros fisiológicos do seu animal, os tutores devem procurar conhecer o seu patudo e reconhecer alterações ao seu comportamento habitual!

#2 – Conheça alguns sinais de doença

Em presença destes sinais de doença, procure levar o seu animal a um centro veterinário: 

  • Alterações na locomoção (forma de andar e de se movimentar), postura ou comportamento;
  • Dificuldade respiratória, tosse ou espirros;
  • Alterações na coloração das membranas mucosas;
  • Colapso;
  • Tremores ou convulsões; 
  • Traumatismos;
  • Perdas de sangue;
  • Presença de corrimentos oculares, nasais ou genitais anormais;
  • Abdómen dilatado e dor abdominal;
  • Vómito ou diarreia persistentes;
  • Alterações de apetite: perda súbita ou aumento do apetite e excesso de ingestão de água;
  • Perda de peso excessiva;
  • Alterações na forma de urinar ou defecar e também no volume, cor ou frequência da urina e das fezes;
  • Perda de excessiva de pelo.

#3 – Quando é mesmo uma emergência

Quando nos defrontamos com uma situação de emergência, é perfeitamente normal que nos sintamos assustados! Mas lembre-se que um dos pontos mais importantes nessas situações é precisamente saber manter a calma! 

Não atue sem pensar! Tenha em mente que os animais em dor podem ser imprevisíveis, e agressivos (mesmo para os seus donos).  

Ligue sempre para o seu centro veterinário habitual ou para o centro que estiver mais próximo de si. Alertar o médico-veterinário e explicar a situação é essencial – não só permite que a equipa veterinária se possa preparar e prestar os cuidados veterinários de forma mais atempada, como lhe permite receber alguns conselhos médicos importantes, aumentando assim as hipóteses de sucesso. 

Tente acompanhar-se sempre do boletim de saúde dos seus animais, e à chegada ao centro veterinário, mantenha-se calmo, siga as indicações que lhe forem pedidas e transmita de novo toda a informação que conseguir. 

Principalmente, se acha que é uma emergência, não deixe para mais tarde: contacte o seu médico veterinário.

FotoJC

José Coucelo, DVM

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