Bafo de … Cão

Nos últimos anos, tem-se tornado mais comum o alerta de que existe um enorme benefício na promoção de uma adequada higiene oral nos nossos animais de estimação – não só pelo aspecto estético mas por todas as condições médicas que se podem prevenir com alguns cuidados básicos de higiene oral.

Tal como nós, os nossos patudos podem sofrer de muitos problemas que afetam a sua boca e dentes, muitas vezes causando desconforto e dor. E na verdade, uma das doenças mais frequentes nos nossos animais de companhia e a mais comum da cavidade oral é a doença periodontal (vulgarmente chamada de tártaro).

A doença periodontal afeta cães e gatos de todas as raças, e apesar de ser observada com maior frequência em animais mais idosos, pode surgir a partir dos 2 anos de idade.

Uma vez que boca dos nossos patudos é um local quente, húmido e servido de nutrientes, torna-se um bom ambiente para o crescimento de bactérias. Acontece que muitas destas bactérias acabam por aderir em grande quantidade aos dentes dos nossos animais e formam um revestimento bacteriano (a dita placa bacteriana). Com o avançar do tempo, esta acumulação de bactérias acaba por endurecer por ação da saliva (que calcifica a placa), formando um cálculo dentário (tártaro).

À medida que a doença progride, estas bactérias e as suas toxinas infiltram os tecidos e as estruturas em torno dos dentes, lesionando-os. Por esta razão é frequente que ocorram reações inflamatórias das gengivas (gengivites), alterações na cor dos dentes (amarelados ou acastanhados) e perda de fixação dos dentes no osso, acabando muitas vezes por cair ou fracturar.

No entanto, a doença periodontal afeta muito mais além do que as gengivas e os dentes dos nossos animais. Em casos muito avançados e graves, as bactérias e as toxinas poderão atuar a nível sistémico e afectar órgãos vitais como o coração, rim e fígado e as articulações dos membros. E por isso, tal como noutras condições, a detecção e tratamento precoce são de grande importância.

Os sinais mais comuns de doença periodontal são o desenvolvimento de mau hálito (halitose) e alterações na coloração e aspeto dos dentes, acompanhados de uma cor avermelhada das gengivas e possível sangramento gengival, fragilidade dos dentes, produção excessiva de saliva, dificuldades de mastigação e perda de apetite.

Como esta doença pode ser desconfortável e dolorosa para os nossos patudos, tenha cuidado ao examinar a boca do seu animal de estimação pois alguns poderão tentar morder.

Como medida de prevenção, a escovagem diária dos dentes com escovas e pastas veterinárias (para remoção da placa bacteriana acumulada) é muitas vezes uma óptima e primeira recomendação – mas tenha em atenção que o uso das nossas pastas de dentes é desaconselhado, pois muitas poderão conter substâncias que são tóxicas para os nossos patudos!

Se por questões de horários não tiver capacidade de fazer as escovagens diariamente, ou pelo menos 3 vezes por semana, ou o seu patudo é daqueles que não se habituam à escovagem nem com guloseimas, fique a saber que há outras formas e produtos que pode utilizar para a garantir a higiene oral do seu animal.

Desde brinquedos, snacks, suplementos e elixires podem ser utilizados para reduzir e controlar a placa bacteriana, melhorando a higiene oral dos nossos animais de estimação. Tendo em conta o estado de higiene do seu patudo e o seu comportamento perante as diferentes abordagens, o seu veterinário poderá recomendar-lhe as medidas mais adequadas.

Em casos mais avançados de doença periodontal, os meios anteriores podem não ser eficazes na remoção da placa bacteriana endurecida, e o tratamento passará por uma destartarização. Este procedimento é realizado sob anestesia geral (com o animal inconsciente) pelo médico-veterinário, onde é removida a totalidade da placa bacteriana e feita a higienização dos dentes.

Por ser mais frequente em animais de idade avançada, os donos dos animais poderão ter alguns receios pela segurança de submeter os seus companheiros a uma anestesia geral. No entanto os procedimentos são bastante seguros e terá sempre que ser pesado o risco de deixar a doença progredir ou realizar o procedimento.

Sempre que possível deve atuar quando os problemas (orais ou quaisquer outros) são menores, de forma a evitar consequências maiores para a saúde do seu patudo. Assim, procure aconselhar-se junto do seu medico-veterinário sobre o estado da saúde oral do seu animal e o que pode medidas pode adotar para a melhorar.

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Inês Viegas, DVM

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