Eu e a Bolacha somos friorentas

Quando o termómetro começa a baixar e chegam as temperaturas típicas do Inverno, estas não nos afectam apenas a nós, afectam os nossos patudos também. A ideia de que um cão está protegido do frio por causa do seu pelo, apenas é verdade até certo ponto.

Da mesma forma que algumas pessoas se mostram mais friorentas que outras, também os nossos animais de estimação têm tolerâncias diferentes à temperatura. Por exemplo, eu sou a mais friorenta lá de casa e a Bolacha gosta muito do seu casaquinho quando vai passear de manhã no Inverno.

A raça, idade, o tipo de pelagem (curta ou comprida), a gordura corporal e o estado de saúde são algumas particularidades que contribuem para uma maior ou menor resistência ao frio. E o mimo que lhes damos também, claro…

Existem raças que estão mais adaptadas a baixas temperaturas (Husky ou São Bernardo) mas nenhuma é verdadeiramente imune a temperaturas extremas. Na verdade, não passa tudo de uma questão de bom senso! Pensemos que se está demasiado frio para nós, poderá estar bastante frio para eles também. Se eu preciso de luvas e gorro, a Bolacha pode ficar mais confortável com algum tipo de cobertura.

De uma forma geral raças de porte pequeno, animais de pelo curto (como a Bolacha, que é uma Boxer), os de idade mais jovem e de idade mais avançada são mais susceptíveis aos perigos do frio – e devemos ter cuidados especiais com eles, principalmente se forem animais de exterior!

Quer os animais muito jovens (por estarem em crescimento) quer os mais idosos podem não apresentar uma condição física adequada que lhes permita manter a sua temperatura corporal face a temperaturas muito baixas.

Além disso, o estado de saúde do seu animal pode ter alguma influência na forma como ele lida com a temperatura. Animais que tenham condições cardíacas, renais, diabetes ou outros problemas hormonais poderão ter mais dificuldade em ajustar a sua temperatura corporal, correndo um maior risco sob temperaturas baixas.

Aliás, alguns donos podem achar que um pouco de peso extra garante uma melhor proteção do frio aos seus animais mas o importante é manter o seu animal num peso saudável pelo inverno. É verdade que os animais de exterior requerem mais calorias no inverno para gerar mais calor e energia para se aquecerem. No entanto, podem existir riscos de saúde associados a peso extra que são desaconselháveis (nomeadamente problemas articulares e diabetes).

O risco associado às temperaturas baixas diz respeito a eventuais queimaduras na face, barriga e patas ou quedas (principalmente em locais com gelo, geada ou mesmo neve), ou agravamento de tosse ou outros problemas respiratórios.

Em casos extremos os nossos patudos podem chegar a um estado de hipotermia – isto é, a uma diminuição da temperatura corporal abaixo do que é considerado normal. A hipotermia tem como sinais os tremores, lentidão, incapacidade de andar, desorientação, palidez das gengivas e perda de consciência e deve ser considerada uma emergência!

Quanto aos cuidados a ter, quer se trate de um animal jovem, adulto ou idoso, é importante que saiba como lhes proporcionar mais conforto durante temperaturas menos apetecíveis.

No caso dos nossos velhotes, devemos prestar cuidados especialmente generosos. Animais de idade avançada podem não ter a condição física ideal e muitas vezes, quer pela sua idade ou por uma condição médica (como problemas articulares), poderão ter alguma dificuldade em levantar-se ou a movimentar-se. E acontece que da mesma forma que o frio incomoda os músculos e as articulações das pessoas, também pode acentuar as dificuldades e o desconforto dos nossos animais.

Se o seu cão tem pelo curto e lhe parece incomodado com o frio então talvez seja uma boa ideia vestir-lhe uma peça de roupa – pode optar por peças de petshops mas uma camisola sua que já não use serve perfeitamente! Garanta apenas que a camisola não tem botões ou outros objetos que o seu dentuças possa devorar.

Tal como nós, os nossos animais de estimação preferem estar em locais abrigados e cómodos. Se o seu animal estiver no exterior, convide-o a entrar ou garanta que tenha um local onde possa repousar numa cama suave e espessa, protegido de correntes de ar e abrigado do frio.

Quando estão no interior, muitas vezes os nossos animais vão procurar fontes de calor. Mantenha o cuidado de os vigiar e evitar que estes se aproximem demasiado de lareiras ou aquecedores para impedir que se queimem na face, patas ou cauda.

Não deixe os seus animais no carro com baixas temperaturas…os carros conseguem arrefecer bastante e de forma muito rápida e pode ser o suficiente para que o seu patudo arrefeça de forma perigosa.

Quanto aos passeios (por lazer ou higiene), possivelmente terá que encurtar a duração dos mesmos, pela saúde de ambos! A Bolacha, por exemplo, sai à rua e volta a correr nas manhãs mais frias.

Na presença de neve, deve caminhar com precaução e à chegada a casa, não se esqueça de secar o seu companheiro e remover qualquer gelo existente, uma vez que pode conduzir a queimaduras.

O ideal é recorrer ao seu médico veterinário para que este faça um check-up ao seu companheiro e lhe dê todos os conselhos orientados à saúde e melhor conforto do seu animal de estimação durante o Inverno. A Bolacha já fez o dela! Leve o seu patudo também!

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Inês Viegas, DVM

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