Será que o meu gato tem problemas urinários?

As queixas de problemas urinários em gatos são bastante comuns. Muitas vezes os donos relatam que o seu gato passa muito tempo na caixa da areia- miando de forma aflitiva e aparentado ter dificuldade em urinar ou defecar (a posição assumida é muito semelhante, nem sempre sendo óbvio a origem do problema…), ou que está a urinar em locais estranhos. Estes são alguns dos sinais que indicam que algo de errado se passa.

Acontece que há um conjunto de problemas que se manifestam da mesma forma e que podem explicar estes sintomas. Falamos da Doença do Trato Urinário Inferior Felino – termo que na verdade se refere a um grupo de doenças que podem afectar a bexiga e/ou a uretra (canal que permite a passagem da urina, desde a bexiga até ao exterior) dos gatos.

A causa mais comum de Doença do Trato Urinário Inferior Felino é uma inflamação da bexiga e da uretra, sem motivo aparente, a que chamamos cistite idiopática. Sabe-se que, muitas vezes, a presença de outros animais ou entrada de pessoas novas no espaço do gato, mudanças de rotina ou de habitação podem ser os factores de stress que despoletam esta condição.

No entanto, existem outras causas possíveis para esta síndrome, entre as quais:

– obstruções na uretra (provocadas pela acumulação de pequenas “areias” e cristais, envolvidas em proteínas e muco, que no seu conjunto formam um “rolhão” que “entope” este canal excretor; esta situação tende também a provocar espasmos nos músculos uretrais que contribui para o desconforto sentido e para o estreitamento uretral; dietas ricas em proteínas de má qualidade podem aumentar o risco desta condição);

– as chamadas “pedras na bexiga” (cálculos vesicais)

– defeitos anatómicos (geralmente reduções no tamanho do canal que permite a expulsão da urina)

– infecções urinárias

– tumores (apesar de serem menos comuns, é uma possibilidade que terá de ser considerada em gatos de idade mais avançada)

É importante referir que, muitas vezes, estas várias causas se somam e co-existem num mesmo paciente, sendo necessária uma abordagem terapêutica em várias frentes de forma a resolver todos os sintomas. 

Gatos com estas condições têm tendência a mostrar-se mais deprimidos ou até,por vezes, agressivos (como consequência da dôr e enorme desconforto sentido), escondendo-se, não comendo e podendo mesmo até vomitar. Muitos gatos poderão ter tendência a urinar mais vezes e possivelmente fora da caixa de areia, devido à inflamação e irritação da uretra que estimula a necessidade de urinar. Também é comum que os gatos lambam excessivamente a zona genital e que a urina apresente uma cor mais avermelhada (que poderá indicar perda de sangue pela urina).

Na eventualidade do gato simplesmente não urinar, trata-se de uma emergência e deve procurar o seu médico veterinário o mais breve possível. Nestes casos, o animal não tolera o toque da parte traseira da barriga (onde se encontra a bexiga), que por estar tão cheia parece literalmente uma “pedra”. Estes gatos têm elevada probabilidade de entrar em falha renal aguda, correndo risco de vida. 

Gatos de qualquer idade, raça ou género podem ser afectados. No entanto, a doença é mais comum em gatos machos, (pois a sua uretra é mais estreita e mais comprida que a das fêmeas), jovens adultos a de meia idade, sem acesso ao exterior, com excesso de peso e que são alimentados com ração seca (e que bebam pouca água).

Dado que os sinais clínicos são muito semelhantes entre si, é necessário realizar alguns exames de diagnóstico para realmente compreender o que poderá estar a provocar esta situação. É também importante salientar que o diagnóstico de inflamação por causa desconhecida é feito por exclusão das outras causas descritas.

Por esta razão, sempre que o seu gato manifestar alterações na maneira ou  frequência com que urina, procure aconselhar-se com o seu médico veterinário sobre a possível causa para essa mudança e medidas a adoptar.  

O tratamento terá sempre de ser orientado para a resolução da causa da doença e geralmente envolve medicação, alteração da dieta e perda de peso, o aumento do consumo de água e enriquecimento do ambiente, de forma a eliminar stress (como por exemplo, aumentar o número de caixas de areia e fornecer brinquedos). 

Inês Viegas

DVM

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