Sabia que as suas pastilhas sem açúcar são muito perigosas para o seu animal de estimação?

Todos temos em casa produtos “sem açúcar”, sendo os mais comuns as pastilhas elásticas, gomas e rebuçados, bem como as pastilhas para a garganta (incluindo as vendidas em farmácias). Existem também produtos substitutos do açúcar para utilizar em culinária, nomeadamente na confecção de bolos.

Muitos destes produtos contêm um adoçante chamado XILITOL que não só é seguro para humanos, como até é indicado como substituto do açúcar para diabéticos e tem uma ação antibacteriana local, ajudando, por exemplo, a evitar infecções de garganta e ouvidos.

Contudo, estas e outras ações potencialmente benéficas só ocorrem nas pessoas. Para os nossos patudos (especialmente para cães, mas não só) o xilitol é facilmente letal.

Nos humanos o xilitol é indicado para diabéticos porque não tem influência nos níveis de insulina, ao contrário do açúcar normal. A insulina é a hormona que é responsável pelo metabolismo dos hidratos de carbono (como o açúcar) tanto nos humanos, como nos animais. Esta hormona promove a absorção da glucose (a unidade mais básica dos hidratos de carbono) para diferentes tecidos.

O problema nos nossos animais é que o xilitol é confundido pelo pâncreas (o órgão que liberta insulina) como sendo açúcar. Quando tal acontece o pâncreas inicia facilmente a libertação de doses elevadas de insulina.

Contudo, o xilitol, ao contrário do açúcar, não representa qualquer aporte calórico para o organismo, levando a que a insulina promova a degradação rápida de todos os verdadeiros hidratos de carbono disponíveis em circulação.

Como consequência, os níveis de glucose (ou de açúcar, numa linguagem mais simples) em circulação diminuem de forma intensa e abrupta, levando o animal a uma estado conhecido como hipoglicémia.

Os primeiros sinais podem surgir cerca de trinta minutos após a ingestão de xilitol, embora possa demorar até 12 horas para que surja algum tipo de sintoma. Os sintomas que ocorrem estão todos associados à hipoglicemia, e são portanto aqueles que o veterinário poderá associar a um animal diabético que esteja em crise.

Geralmente os sintomas começam por vómitos, fraqueza, desorientação e tremores. É possível que rapidamente evoluam para outros sinais neurológicos nomeadamente descoordenação grave, colapso e convulsões.

Além deste efeito grave, sabe-se também que doses mais elevadas de xilitol provocam necrose e consequente insuficiência hepática grave (o fígado do animal deixa de funcionar) embora não se conheça ainda bem o mecanismo deste efeito.

Os primeiros sinais de problemas hepáticos geralmente são detectados através de análises laboratoriais, mas podem também incluir icterícia e alterações dos mecanismos de coagulação do sangue.

A dose de xilitol que pode levar a um episódio de hipoglicemia severa é muito baixa, rondando os 0,1g por kg de peso do animal. Uma pastilha elástica típica contém cerca de 0,3 a 0,4g de xilitol, o que quer dizer que bastará a ingestão de uma pastilha para provocar uma intoxicação num cão de 3kg. Este é o peso normal de um Yorkshire Terrier, por exemplo.

Se considerarmos, por exemplo, a ingestão de um bolo feito com um adoçante em substituição de açúcar, podemos facilmente perceber que uma fatia de bolo pode levar à morte de um cão do tamanho de um labrador.

É importante ter particular atenção para o facto de muitas vezes a quantidade de xilitol presente neste tipo de produto não estar claramente indicada, pelo que, em caso de dúvidas, devemos considerar qualquer produto com xilitol como sendo altamente tóxico para os animais de companhia.

Qualquer animal que tenha ingerido um produto com xilitol deve ser imediatamente conduzido a um centro veterinário. Mesmo que não se tenha a certeza da ingestão, deverá ser observado por um veterinário.

A hospitalização de animais que se saiba (ou desconfie) terem ingerido este tipo de produto, é muito recomendável. Será sempre necessária a monitorização constante e cuidada dos níveis de glicose do animal e o acompanhamento do estado do fígado.

A insuficiência hepática pode ocorrer de forma súbita, até 48 horas após a ingestão, e não pode ser descartada mesmo em animais que estejam estáveis do ponto de vista da glicemia (ou seja, que tenham níveis de açúcar no sangue estáveis a aparentemente controlados).

Os animais sob tratamento são muitas vezes colocados a soro, recebendo o aporte de glucose necessário para contrariar a baixa glicemia. Serão muitas vezes também administrados protetores hepáticos de forma preventiva. Este tipo de internamento e tratamento pode ter de ser mantido por vários dias.

Para terminar, é importante frisar que o xilitol é tóxico tanto para cães como para gatos, conduzindo ao mesmo tipo de intoxicação, sintomas e consequências.

Contudo, devido às suas preferências alimentares (são mais gulosos e menos seletivos em relação ao que comem), os cães são muito mais propensos a ingerir acidentalmente um destes produtos, seja uma pastilha elástica, um rebuçado, ou um pedaço de bolo.

Na maioria das situações os gatos parecem evitar produtos contendo xilitol e não é frequente o relato de intoxicações nestes animais.

Ainda assim, seja qual for a espécie do seu melhor amigo, não arrisque. Não deixe pastilhas elásticas, rebuçados ou pastilhas para a garganta disponíveis em cima de mesas ou bancadas. Estes produtos têm muitas vezes odores que são muito atrativos para os nossos patudos gulosos. As pastilhas elásticas são um alvo particularmente fácil, porque estão muitas vezes embrulhadas em papel, facilmente removível, ou que até pode ser engolido em conjunto.

O mesmo tipo de conselho é aplicável a bolos ou outro tipo de pastelaria confecionada com substitutos de açúcar. Na dúvida, não arrisque e guarde qualquer produto que contenha substitutos de açúcar num armário longe do alcance do seu melhor amigo.

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Inês Viegas – DVM

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